Arriscando…

Eu tenho 26 anos. Muitos sonhos, caminhos e tropeços pela frente. Nunca gostei de correr riscos, mas cheguei a uma conclusão elementar: não tenho nada a perder.

E por que digo isso?

A gente se esconde atrás de muros de coisas que achamos que temos a perder e que no fim, não tem significado algum. São coisas. Seres inanimados. Um monte de tralha que juntamos anos a fio e que não tem serventia alguma. Só juntam poeira.

A mesma situação se dá com aqueles sentimentos que deveriam ser descartados de uma vez. Por que guardar mágoa de alguém? Por que sentir raiva, ódio e inveja? Por que alimentar um amor que já morreu? Em que esses sentimentos nos beneficiam? Assim como os muitos objetos, só servem pra juntar poeira emocional e nos fazem muito mal!!!

Outro dia uma pessoa querida (que mudou radicalmente o rumo de sua vida) me disse uma coisa que me marcou: “Não quero perder tempo com aquilo que não faz a vida valer a pena.”

A vida acontece enquanto estamos fazendo planos pro futuro, traçando metas, definindo o que vale mais.

A vida acontece enquanto temos medo de perder referências, valores, amores.

Por isso ela só vale a pena quando encontramos pessoas raras. Quando fazemos algo que realmente gostamos, com paixão, com alma. Quando vemos algo que nos acalenta o coração. Quando fazemos o bem. Quando lembramos de alguém em um momento banal e isso faz todo o sentido.

Nos esquecemos que nada permanece e que nada nos pertence. E é exatamente aí que reside a beleza. Tudo muda. Tudo se movimenta.

Para fazer a vida valer a pena é preciso correr riscos! E é isso que eu estou fazendo agora.

A verdade liberta!!!

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Menino de Férias

Não tem nada mais gostoso de ver do que um menino de férias. Correndo pelas ruas, puxando finas linhas que terminam em papéis coloridas voando pelo céu.

Eles têm a inocência pura, leve e trigueira, daqueles que viveram pouco e ainda tem muito pela frente. Eles são livres. Correm o mais rápido que podem. Caem bastante. Ficam todos ralados. Mas mesmo depois do tombo, estão lá, firmes, fortes e alegres como se nada tivesse acontecido.

E o sorriso??? Meu Deus, como é perfeito o sorriso de um menino de férias. Eles pulam, brincam e sonham como há muitos anos eu não me permito sonhar. São sonhos coloridos, povoados de guerreiros e campos de batalhas.

Eles aproveitam intensamente cada dia, ainda que isso resulte em uma perna quebrada, um braço enfaixado, um olho roxo ou um belo galo na testa. Eles vivem e não se arrependem de nada, mesmo que levem bronca, pontos ou até injeção.

Eles sabem o que nós, adultos, muitas vezes esquecemos. A vida passa rápido e é preciso aproveitar cada momento… Antes que as férias acabem!

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Saudades

Quando as coisas estão prestes a acontecer nós não temos noção do quanto elas podem ser significativas e do quanto elas podem mudar as nossas vidas. Só depois de certo tempo e a certa distância que podemos enxergar com precisão o que aqueles poucos segundos, que marcam coisas realmente importantes, representam.

O que dói mais quando se vê as coisas dessa forma é perceber que a gente sempre perde aquele momento mágico entre o banal e o imprescindível. Aquela fração de segundo que faz tudo mudar de cor e de sentido. O momento antes de um beijo, antes do primeiro toque, antes da primeira palavra, antes do sorriso. Aquele momento que faz com que tudo ganhe uma dimensão maior e que faz com que a gente sinta falta depois.

A vida é um somatório de pequenos segundos que fazem com que toda uma existência ganhe sentido. De pequenos gestos, pequenas palavras, pequenas alegrias, que marcam profundamente a nossa alma.

É exatamente quando a gente perde esses momentos puros, quando eles ficam para trás na esteira dos acontecimentos, que vem essa coisa louca chamada saudades.

Saudades de uma rua, de um lugar, do cheiro, do som do riso, do silêncio, do brigadeiro ainda na panela, da voz, da doçura, do encanto, das pessoas, das palavras sem sentido que se tornam únicas, das comemorações, das festas, do céu, do som dos passarinhos, do caderno novo, do fim das férias, do ônibus, de uma lagoa, do sorvete no domingo, das dancinhas, das micaretas, do paraíso.

Saudades dos amigos. Saudades de nós mesmos.

Saudades de ser quem se é de verdade e de ter total apoio e compreensão por parte de outras pessoas que se permitem ser elas mesmas. Mesmo que para isso seja necessário acreditar que só de amor se vive e que a juventude é eterna dentro do coração.

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O destino brinca com a gente!

Às vezes perdemos a oportunidade de viver momentos incríveis… talvez por insegurança, orgulho, distração ou até mesmo pra ser “do contra”. E o destino nos coloca na mesma situação, tempos depois, e, mais uma vez, não permitimos que esses momentos mágicos aconteçam…

Passa um tempo e percebemos que deixamos de viver um grande amor, construir uma amizade especial, dar atenção a alguém  importante ou atentar para as pequenas coisas que tornam nossa existência única, por um simples fato: tememos o sofrimento.

Temos medo de deixar que o amor aconteça porque um dia ele pode acabar. Temos medo de criar laços porque as pessoas podem mudar. Temos medo de dar atenção à alguém porque essa pessoa pode não retribuir. Temos medo de nos encantar com as menores coisas porque elas nos mostram que vivemos da maneira errada.

Estamos aqui para fazer o bem, para amar, para conceder, para sofrer, para chorar, para gritar e para, até mesmo, voar. Para impedir que o sofrimento exista nos privamos do essencial: viver.

Nos centramos em metas desnecessárias, construímos impérios de aço e gastamos nosso precioso tempo tentando fingir que nada mais importa. Que a felicidade que tanto almejamos é feita de tijolos e não de sonhos coloridos. Que o dinheiro é mais saboroso que um beijo de bala de hortelã. Que empregos, carros, casas, são mais importantes do que ver o nascer do sol na praia, do que tomar banho de chuva ou sorvete de limão.

O destino brinca com a gente! Tira de nós as pessoas que amamos. Nos faz sentir saudades. Ele brinca. E, brincando, tenta nos ensinar a viver.

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